No dia 10 de setembro de 1984, Urussanga viveu a maior tragédia da mineração em subsolo do Brasil.
Uma explosão na Mina Santana, no bairro Rio Carvão, tirou a vida de 31 trabalhadores, deixando marcas profundas na cidade, nas famílias e na história da mineração nacional.
Quatro décadas depois, a lembrança segue viva — especialmente para quem sobreviveu.
O dia que mudou tudo
Era uma segunda-feira, pós-feriado prolongado, quando o gás metano acumulado no painel 6 provocou a explosão que devastou a mina.
Entre os poucos sobreviventes estava Vercidino Francisco Galvão, hoje com 73 anos, conhecido pelos colegas como Mandioca.
Ele era furador e atuava nos painéis 5 e 6. Naquela manhã, acordou com um pressentimento ruim, após sonhar com Nossa Senhora Aparecida na entrada da mina.
O relato de quem sobreviveu
“Quando o telefone tocou, que ele tirou e disse ‘um grito de desespero’, deu segundo a mina tremeu”, relembra Vercidino.
O impacto foi tão forte que ele mal conseguia respirar. A solução instintiva foi molhar a camisa numa poça d’água para refrescar a boca seca e tentar recuperar o ar.
O resgate só foi possível graças a um amigo que guiou os bombeiros até onde ele estava.
Naquele momento de agonia, Vercidino fez uma promessa: se sobrevivesse, adotaria mais uma filha, além dos sete filhos que já tinha.
Memória e responsabilidade
Mesmo após escapar da morte, Vercidino ajudou nos resgates.
Segundo ele, a tragédia teve um culpado claro: a falta de segurança da mina.
Os mineradores pediam lanternas para trabalhar — mas muitas vezes tinham que usar isqueiros para iluminar os furos.
“O risco era diário. E o que aconteceu foi consequência disso”, afirma.
Homenagem às vítimas da Mina Santana
Dos 31 mortos, apenas um era solteiro. Todos os outros deixaram famílias que dependiam daquele trabalho.
Eles morreram levando o pão sagrado para seus filhos e suas casas.
As vítimas da tragédia da Mina Santana foram:
Antonio Acedir da Silva; Aloísio Schmidt; Arestides José Goulart; Cesário Borba Camilo; Dionísio Modelon da Silva; Ederli Melo; Euclides Ronsani; Francisco Jeremias; Hedi Cesário Scarabelot; Luiz Carlos Galdino; Paulo Rogério Alves; Pedro Paulo Leopoldo; Reginaldo Araújo; Ronaldo F. dos Santos; Vanderlei Mendes; Valdir Machado; Wilson Cláudio Miranda; Antônio Elizário Mendes; Gilmar Belmiro Ribeiro; Itamar Belmiro Ribeiro; Jair Mendes; Jaime Alfredo Coelho; Jorge José Pereira; Luiz Carlos Leopoldino; Luiz da Cruz; Luís César Cardoso; Pedro Engel José; Santos Tezza; Valdemiro Fioravante Bonot; Vilmar Fernandes Madeira; Volnei Dalazen.

40 anos depois: a lição que fica
A tragédia da Mina Santana não é apenas um episódio da história de Urussanga, mas um alerta eterno sobre as condições de trabalho e a importância da segurança na mineração.
Lembrar das vítimas e dar voz aos sobreviventes é manter viva a memória de quem transformou dor em resistência.

